Tragédia que se repete

O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco. Foto: Rogério Alves/TV Senado
Rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco. Foto: Rogério Alves/TV Senado

Não aprendemos nada com a tragédia de Mariana, controlada pela mineradora Samarco, que em novembro de 2015 causou o que foi considerado o maior desastre ambiental do país, matando 19 pessoas. Hoje novamente nos deparamos com um novo desastre, uma nova tragédia, agora em Brumadinho, também em MG, com o rompimento de três barragens. E tudo indica, pode ter proporções maiores que aquela ocorrida em Mariana. Cerca de 200 pessoas estão desaparecidas, segundo as informações iniciais do Corpo de Bombeiros.

Resta claro agora que, de uma tragédia a outra, apesar dos discursos, manifestações de revolta e das promessas, nada ou muito pouco foi feito. É realmente incrível nossa incapacidade de adotar medidas concretas para evitar a repetição de tragédias como essas. As empresas de mineração novamente evidenciaram o desleixo e a negligência. E os órgãos incumbidos de fiscalização falharam novamente. Desgraçadamente.

Prender e punir os responsáveis, negligentes e omissos, agora, é apenas uma parte das providências que devem ser adotadas. Mas obviamente não são suficientes. Pois vidas se perderam e os estragos ambientes, com destruição de fauna e flora, são praticamente irremediáveis. A conclusão óbvia é que a ação dos agentes e autoridades competentes deve ter por foco medidas preventivas.

Uma força tarefa, composta pelo Ministério Público e agentes dos governos estadual e federal deve ser urgentemente criada. E deve priorizar fiscalizações efetivas sobre todas as empresas mineradoras e suas atividades, com a realização de rigorosos laudos periciais e propositura de ações civis públicas, inclusive para suspensão de atividades. Uma empresa que não possui aptidão, responsabilidade ou capacidade para cuidar e tratar seus rejeitos – e portanto pouco ou nada se importa com vidas humanas e o ecossistema -, simplesmente não merece existir.

Caso contrário, em breve estaremos, novamente, e de forma verdadeiramente hipócrita, chorando por mortos, feridos e desaparecidos.

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