Caso Carrefour. De novo

Caso Carrefour. De novo

O Carrefour agora deve correr atrás do prejuízo. E nada mais justo. Uma vida humana – e todas as vidas importam – foi brutalmente aniquilada por funcionários seus. E é perturbador saber que a empresa já dava sinais de descuido em seara tão importante: o trato com os consumidores e outros tantos princípios caros à sociedade.

O aporte financeiro para ressarcimento de prejuízos e criação de fundo visando a promoção de inclusão social e combate ao racismo, como divulgado, são de fato medidas mitigatórias, mas constituem apenas o início de uma longa e difícil jornada em busca da recuperação de imagem, reputação e credibilidade da empresa.

Os meios de comunicação de massa, vigorosamente amplificados e democratizados pela Internet por meio das redes sociais, permitem hoje a qualquer pessoa acesso fácil e rápido a uma vasta gama de informações. Disso decorre também o alargamento do conhecimento e da conscientização de suas próprias necessidades, enquanto cidadãos titulares e destinatários de deveres e direitos.

Certamente por isso, já há tempos verifica-se uma crescente conscientização da sociedade acerca da necessidade de assumir posições claras e concretas em defesa de determinados valores, e quanto a isso há mostras claras de veementes repúdios ao racismo e às mais variadas formas de preconceito, violações contra o meio ambiente, desrespeito ao consumidor, dentre tantas outras transgressões e desmandos.

Manifestações de desprezo, campanhas de boicote e abaixo-assinados – já anunciados por conta do lastimável evento – são armas poderosas de que se vale a população para demonstrar seu inconformismo, repreender e punir tantos quantos insistem em não se amoldar às modernas exigências de conformidade e adoção das melhores práticas de governança.

Esse padrão de déficit é também porta aberta para outro tipo de boicote, aquele vindo de acionistas, investidores e parceiros comerciais. Os danos são patentes, são emergentes e talvez até irreversíveis.

Resta agora ao Carrefour administrar essa hercúlea crise anunciada, decorrente, parece claro, de uma desastrosa ou bastante inadequada gestão de riscos.

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