A herança maldita e o mar de lama

Região atingida pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho/MG. Foto: Agência Brasil - Isac Nóbrega/PR
Região atingida pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho/MG. Foto: Agência Brasil – Isac Nóbrega/PR

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) avaliou que a tragédia de Brumadinho (MG) é o pior desastre em uma barragem da década no mundo. Equipes envolvidas nos trabalhos de resgate contabilizam até o momento 65 mortes confirmadas e 279 pessoas desaparecidas.

Esta é apenas uma parte de uma herança maldita, resultado de anos e anos de desgoverno, muita corrupção e muita incompetência. Os últimos 16 anos foram o golpe de misericórdia, levando o país à beira da bancarrota. Este é o resultado das administrações Lula da Silva e Dilma Rousseff – o primeiro está preso, condenado a mais de 12 anos de reclusão por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, e a segunda, impichada durante seu segundo mandato, foi eleita pela revista americana Fortune como a “líder mais decepcionante do mundo”.

Aliás, não se pode esquecer – ou esconder – que tanto a tragédia de Mariana, em novembro de 2015, quanto a de Brumadinho, ocorreram durante ou logo após os governos Federal de Dilma Rousseff e Estadual (MG) de Fernando Pimentel, ambos do PT (Partido dos Trabalhadores), agremiação representante da esquerda brasileira, sempre tão “zelosa” na defesa do meio ambiente. Ao menos em teoria. Na prática, o que se viu foi apenas cinismo, hipocrisia e a mais absoluta ausência de fiscalização e desrespeito a normas ambientais.

Mas não só. Como disse, a tragédia de Brumadinho é apenas uma parte do mar de lama.

Segundo matéria recente do jornal O Estado de S. Paulo, a cobertura de água e esgoto no Brasil é pior que no Iraque. “Oitava economia do mundo, o Brasil tem níveis de cobertura de água e esgoto bem piores que países como Iraque, Jordânia e Marrocos. Hoje, 100 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto e 35 milhões não são abastecidos com água potável – números que refletem a falta de prioridade que o setor teve nos últimos anos e explicam a proliferação de epidemias, como dengue e zika, além de doenças gastrointestinais no País”.

Em matéria de educação, classificações recentes indicam que o Brasil tem ocupado as piores posições, atrás de países como Venezuela e Azerbaijão (v. OCDE, PISA, UNESCO, Fórum Econômico Mundial).

Iniciamos este ano com mais de 12 milhões de desempregados, de acordo com a última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Segundo o Atlas da Violência 2018, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foram registrados 62 mil homicídios intencionais em 2016. A taxa de homicídios de negros cresceu 23,1%, correspondendo a uma taxa de homicídio de 40,2 para indivíduos negros e de 16 para o resto da população.

O Brasil também ocupa, entre 84 países, a vergonhosa quinta posição dos que mais matam mulheres. Isso mesmo. O Brasil perde apenas para a Federação Russa, Guatemala, Colômbia e El Salvador, de acordo com o estudo Mapa da Violência 2015. Este é o resultado, após anos e anos de muita conversa fiada, aí incluídos 8 anos de governo Lula e 6 de governo Dilma.

Uma reportagem do Senado, publicada em maio de 2018, dava conta que o “Brasil é o país onde mais se assassina homossexuais no mundo”. O Grupo Gay da Bahia (GGB), responsável pelo levantamento de dados sobre homicídios da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis) no Brasil, registrou 445 homicídios em 2017, um aumento de 30% em relação a 2016.

Em anos anteriores, não muito distantes, o Brasil financiava secretamente e aplaudia publicamente ditaduras sanguinárias, Venezuela e Cuba, como exemplos. Isto tudo enquanto o país afundava na miséria, na violência e no desemprego.

Resta agora, com o novo governo, prestes a completar 30 dias – e com o país assim recebido, destroçado e maltratado – a responsabilidade e a hercúlea tarefa de colocar o país no caminho da sensatez e do crescimento.

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